Sei que amanheceu.
Tudo pode acontecer novamente, mas já não me assusto mais. Escuto os sons dos movimentos e, percebo que agora, quero a proximidade. O sibilar do vento na janela expressa a conversa que o mundo quer ter comigo neste novo dia que me acontece. Olho preguiçosamente ao redor, os lençois escondidos por sobre a colcha pesada, um travesseiro largado no meio da cama... mas... cadê o outro?? Nossa! já vi!!.. tá ali, esparramado naquele chão branco e limpo, A noite foi tranquila e o sono foi recompensador. Estico o braço, pego o travesseiro fujão pelas beiradas, e puxo o junto ao meu peito. Abraço-o, como se quizesse mostrar que também ele faz parte do meu mundo. Os pensamentos agora me procuram e começam e causar um congestionamento em minha cabeça. Nossa!! Um novo dia, e eu faço parte dele. Caramba!!! Não é um dia novo pra mim... e sim um novo eu para um novo dia. Quero estar desperto e esperto. Quero poder olhar por sobre o todo. Não como um semi-deus ou um deus. Quero olhar sabendo que tudo que minha visão alcança, a partir deste novo momento, faz parte do meu novo mundo. Não serei egoista, quero dividir este meu maravilhoso mundo com novas pessoas novas. Quero poder sentir o calor do sol, o vento sacudindo os cabelos das árvores, o sibilar dos pássaros como se a me encantar. As núvens se encontrando como se num passeio, estivessem a desenhar este novo dia. Sons... mas de onde vem?!?
Quero encontrar os donos destes sentidos. Sentir as respostas para as dúvidas alheias, escorregando por cada detalhe do que sempre esteve a mostra. Sei que neste novo dia, estarei morrendo um pouco mais. Não tem jeito. A vida me pregou essa peça. Me deu de presente, a certeza de que vou chegar ao final. Tenho pressa agora. Esta descoberta que de tão clara, me ridiculariza, imputou-me a perspicacia do sentido da vida. Quero sentir este sabor a cada momento. Quero ser forte, corajoso. Quero lutar pela minha morte. Quero ser valente e mostrar que morrerei tendo vivido. Agora, meus pensamentos ja me deixam. Tenho que levantar. Fazer um pouco do meu cotidiano terreno. Ser um ser. Amanhã... se eu amanhecer, escreverei sobre os novos pensamentos que virão...
